_DSC7372-copy-2.jpg
 

As primeiras saídas, em busca destes seres, não foram apenas orientadas pela curiosidade, mas também por memórias de criança, dos verões passados numa casa que os meus avós tinham no sul do pais. Lá, na Maritenda, não abundavam, mas existiam em número suficiente para que a lembrança sbioluminescentese tenha mantido.  

Quando iniciei a aventura dos pirilampos, o caminho natural naquela altura, pelo menos para mim, seria conseguir um registo o mais diversificado possível a nível de espécies e em diferentes fazes do seu ciclo de vida, se possível. Depressa tornou-se visível que não o iria conseguir fazer, a não ser a muito longo prazo, assim sendo teria que virar a minha atenção para uma espécie em particular. Nesta escolha o fator decisivo foi que a espécie tinha que ser alada, e aí, o natural foi escolher o Luciola lusitanica, ou seja, os pirilampos lusitânicos, que e para além da primeira, também são fotogênicos. 

Luze-cus, vaga-lumes, caga-fogos, cudelumes, caga-lumes, ou mais simplesmente pirilampos, são alguns dos nomes comuns mais utilizados em Portugal, quando nos referimos a estes seres. Com uma biodiversidade mundial significativa, que inclui aproximadamente 2000 espécies e onde nem todas possuem atividade nocturna,  cerca de 60 podem ser encontradas na Europa. Destas ultimas, apenas 8 são tidas como existentes na Peninsula Ibérica.

Quando nos lembramos deles, automaticamente os associamos à sua extraordinária capacidade em produzir luz, ou seja de serem bioluminescentes. Muito resumidamente, para que tal seja produzida é necessário a presença de dois compostos químicos, a Luciferina e a Luciferase, num processo com duas fases distintas. A quase totalidade das espécies nocturnas emitem luz, sendo que a sua principal função é facilitar o encontro de um companheiro, variando a frequência com que emitem luz de espécie para espécie.  

Pese embora não existirem dados seguros, a dificuldade nos avistamentos de pirilampos tem aumentado. Ainda que sem uma baliza cientifica, muito seguramente, que as populações tem sofrido um acentuado declínio, e tal, muito provavelmente fruto da conjugação de diversos factores. A destruição de bosques, charcos, zonas alagadas, a intensificação da agricultura, associada a uma utilização abusiva de pesticidas, mas também a um aumento considerável da poluição luminosa, fruto da expansão da orla urbana, são claramente factores que têm contribuído para a diminuição do número de pirilampos e suas comunidades. 

Existem espécies onde ambos os sexos têm a capacidade de voar, contudo en muitas, as fêmeas não são aladas. Aparentemente as que não o são, possuem vantagens reprodutivas face às restantes, e tal porque não existe um dispêndio energético nessa atividade, podendo assim ser canalizada toda a sua capacidade energética para a produção de descendentes. Das espécies de pirilampos registadas em Portugal, nenhuma é alada. 

Foram noites a trás de noites, a maior parte delas sozinho a fotografar os pirilampos lusiânicos , ocasionalmente lá aparecia uma outra espécie. A rotina era quase sempre a mesma, variando pouco de local para local, chegava ainda de dia, enquadrava e focava um corpo para utilizar mais tarde, aquando do voo dos pirilampos, preparava uma máquina mais cedo pois na escuridão total era quase impossível, não só focar, como também enquadrar. Por norma o processo era o seguinte, entre as 20h00 - 21h30 fotografava os indivíduos que conseguia encontrar a subir as ervas e ou se encontravam parados nas zonas mais escuras, 22h00 começava a fotografar as populações em voo, por fim e mais noite dentro, voltava a fotografar os indivíduos que entretanto começavam a descer, como por exemplo o da imagem mais a cima, e com um fundo mais branco, que consegui graças a luz do ecran do meu telefone.