Vale de Zebro

Não escondo que fotografo lá, posso fazê-lo como tantos outros, mas também não passo o tempo de máquina na mão, por esta e por um outro conjunto de razões não é a minha zona de eleição para fotografar e queria começar por aqui.

Costumo dizer que conheço bem a zona, mas mesmo assim, a Machada, tem ao longo dos anos em que digo que a conheço, a capacidade para me surpreender, tanto para um lado como para o outro é verdade, mas desta feita foi, muito seguramente, pela positiva.

Chegada esta altura do ano, lá estou eu a pensar em orquídeas, tradicionalmente aponto a minha atenção para o Parque Natural da Arrábida e para o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. Não sou nem de perto nem de longe conhecedor das espécies, conheço algumas, sou fascinado pela sua beleza, mas acima de tudo pela sua diversidade.

Trabalho na Mata da Machada, dai ter começado da forma que comecei. Há umas semanas fui surpreendido pela presença de algumas espécies de orquídeas na Machada. Conhecia apenas uma, ainda por cima sem clorofila e que sobrevive graças a associação com um fungo, mas coitada nem todas podem ser bonitas, enfim. Voltando a trás, uma colega chamou-me a atenção para a presença de Himantoglossum robertianum, bom pensei eu, mas o melhor foi o que veio a seguir, a caminho do local que me indicaram tive a sorte de encontrar mais três espécies, uns 4 ou 5 pés de Ophrys tenthredinifera, 2 de Orchis italica e uma Orchis anthropophora. Bem sei que são bastante comuns, mas para a realidade da Mata da Machada, não o são. Vamos ver o que ainda vai aparecer nas próximas semanas.


Nuno CabritaComment