Athene noctua

São bastante comuns, contudo durante anos e,  salvo encontros esporádicos, nunca os consegui encontrar para os fotografar de uma forma consistente e continuada, por forma a que pudesse de algum modo me aperceber dos seus comportamentos e interações, não só entre a espécie mas também com o meio em que se encontram inseridos, mas em abril passado tive sorte.

Dizia que em abril passado tinha tido sorte, não diretamente, pois os locais foram indicados por uma pessoa amiga, pessoa esta que tinha conhecido o ano passado enquanto me encontrava a fazer o PITSTOP. Um entusiasta do meio natural, caçador, contudo um verdadeiro naturalista, dotado de um profundo conhecimento das espécies, seus hábitos e meio em que habitam, mas também completamente empenhado na sua proteção. Bem sei que para muitos, o aspeto caçador, possa de alguma forma causar alguma comichão, contudo entendo que não podemos ser tão sectoriais ao ponto de não nos darmos a oportunidade de ver o outro lado, nem que seja por curiosidade, até porque em boa verdade o homo sapiens sempre foi caçador. Vivemos tão despegados do que já fomos e do meio rural, que tomara a todos os que advogam ser naturalistas e ambientalistas, ser e ter o conhecimento que ele possui.

Não foram muitos os dias, em que tive a oportunidade de estar presente, no entanto, os suficientes para saber quais os seus poleiros preferidos e direções de voo, claro que nem tudo é assim tão linear. Tal ficou provado quando utilizava grandes angulares, nunca cheguei a conseguir o que realmente queria, apanhando-os sempre de costas. Provavelmente eram eles a me querer dizer que não estavam interessados, bem fica para o ano.

Voltando atrás, visitei os locais onde se encontravam dois casais uma primeira vez no início de abril e, quase que tal caiu para segundo plano, pois outras oportunidades surgiram, até que vem uma comunicação “Nuno, casal com cinco crias já fora do ninho mesmo à frente”, e pronto, cambalhota total nas prioridades e umas tantas viagens para poder estar perto destes seres.

São pequenos, quase do mesmo tamanho que um melro, um pouco maiores talvez, muito provavelmente todos, são pais devotos, mas estes e com cinco crias eram incansáveis. Os movimentos eram quase constantes, não só mas principalmente ao crepúsculo, também cinco bicos é muito bico para alimentar.  

Com o tempo lá me foram aceitando, ao ponto de chegar conseguir estar a pouco menos de 2 metros de duas das crias, sem que isso as impedisse de vocalizar o característico chamamento de pedir comida.

Para o ano e com um pouco mais de experiência talvez os consiga fotografar como originalmente os queria.  

Nuno CabritaComment